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Rede de trabalho sobre uso de agrotóxicos realiza primeira reunião do ano

11/01/2018 16:16

Comitê voltou a discutir com agricultores, representantes de assistência técnica e de revendas formas de evitar uso incorreto e excessivo de agrotóxicos e melhorar a fiscalização

Caroline Vicentini - NCS/PMI

Reunião do Comitê com agricultores, representantes de assistências técnicas e revendas

 

O Comitê da Rede Municipal de Articulação sobre Agrotóxicos - formada por representantes de entidades ligadas ao setor rural e urbano de Ibiporã e Jataizinho - promoveu nesta quarta-feira (10), no Centro Tecnológico do Trabalhador de Ibiporã (CTTI), mais uma reunião com agricultores, representantes de assistência técnica e revendas para apresentar os trabalhos realizados pelo grupo para viabilizar ações de fomento à fiscalização e redução do uso indiscriminado de agrotóxicos nos dois municípios. 

 

O evento também contou com a participação do secretário de Agricultura e Meio Ambiente de Ibiporã, João Odair Pelisson, do diretor de meio ambiente, Hélio da Silva, da assessora da promotora de justiça da 2ª Promotoria de Ibiporã, com atribuições na área ambiental, Révia de Paula Luna, Patrícia Gongora, do engenheiro agrônomo da área de sustentabilidade do Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) Central, Ednei Bueno do Nascimento, do gerente técnico regional da Emater (Londrina), Sérgio Carneiro, além de representantes da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), Vigilância Sanitária, Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Paraná (Crea).

 

A reunião teve as palestras do engenheiro agrônomo da Adapar, André Albanese, que abordou as leis que regem o sistema agrícola, o engenheiro agrônomo da Emater - Andirá, Fernando Teixeira de Oliveira, que enfatizou os benefícios do manejo integrado de pragas, afirmando a possibilidade de a técnica viabilizar a redução do número de aplicações agrotóxicas nas lavouras; e a pesquisadora da Embrapa Soja, Claudine Dinali, sobre o Controle Químico de Doenças da Soja.

 

Durante o encontro também foi entregue a recomendação administrativa elaborada pelo Ministério Público aos que não estiveram presentes nas outras reuniões. O documento esclarece o dever dos usuários, comerciantes e profissionais em adotar boas práticas em suas unidades produtivas e reforçando a proibição de aplicação de veneno na zona urbana e em suas imediações. 

 

Segundo o documento, caso os termos da recomendação administrativa não sejam cumpridos, os mesmos serão responsabilizados civil e penalmente. O documento também determina que as orientações sejam amplamente divulgadas, inclusive com a afixação em estabelecimentos comerciais.

 

Já na quinta-feira (11), alguns membros do grupo de trabalho reuniram-se na sala de reuniões do gabinete da Prefeitura Municipal de Ibiporã para fazer uma avaliação das ações realizadas em 2017 e as atividades programadas para este ano, como a fiscalização das propriedades rurais localizadas na zona de amortecimento do Parque Estadual de Ibiporã e a realização de um seminário sobre receituário agronômico a ser promovido pelo Crea possivelmente em Ibiporã.

 

O Comitê promoveu, ao longo de 2017, o levantamento de informações para formar diagnóstico do uso de agrotóxicos e definir um plano de trabalho visando à redução do uso de veneno nas unidades produtivas de Ibiporã e Jataizinho. Um dos eixos de trabalho do grupo são a conscientização e educação ambiental.

 

O projeto, que faz parte do Plano Setorial de Ação das Promotorias de Justiça vem sendo desenvolvido desde dezembro de 2015, quando foi realizado em Ibiporã o Encontro do Fórum Estadual - Agrotóxicos, no qual foram abordados os riscos ambientais e sanitários do uso excessivo de veneno e elaborada carta de intenções de trabalho, cujas manifestações foram debatidas pelas instituições nas reuniões recentes.

 

 

Mercado de agrotóxicos

 

 

O impacto causado pelo uso dos agrotóxicos inclui a contaminação dos alimentos, danos à saúde pública e ao meio ambiente, tanto no solo como na água que é consumida.

 

Segundo dados divulgados pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), entre os anos de 2000 e 2010 a taxa de crescimento do mercado brasileiro de agrotóxicos foi de 190% contra 93% do mercado mundial, de modo que o Brasil hoje ocupa o lugar de maior consumidor de agrotóxicos do planeta.

 

De acordo com o instituto, as lavouras paranaenses também estão recebendo um maior volume de veneno, uma vez que, entre 2008 e 2011, enquanto a área plantada permaneceu estável a quantidade de agrotóxicos pulverizadas nas unidades produtivas do Estado aumentou em 20,3% e o consumo total chegou a 96,1 milhões de quilos. Em Ibiporã, de acordo com dados do Sistema de Monitoramento do Comércio e Uso de Agrotóxicos do Estado do Paraná (Siagro), fornecidos pela Adapar, foram utilizadas, no município, 300 toneladas de agrotóxicos no ano de 2015 e 273 ton em 2016; sendo que os herbicidas constituem 55 a 60% deste volume. O município é o maior centro armazenador de agrotóxicos do Paraná.

 

Conforme dados do Dossiê Abrasco (Associação Brasileira de Saúde Coletiva), 70% dos alimentos in natura consumidos no país estariam contaminados por agrotóxicos; destes, de acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), 28% estariam contaminados por produtos não autorizados.

 

 

 

 

 

de Caroline Vicentini - Núcleo de Comunicação Social/PMI

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